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Método · Painel de leitores sintéticos

O que é o painel de leitores sintéticos, e como ele foi feito.

Você cola um texto, escolhe que tipo de texto é, e quatro leitores fictícios com critérios bem diferentes reagem a ele. Cada um dá uma nota, diz o que achou, e cita entre aspas os trechos exatos que o incomodaram. É gratuito, o código é aberto, e o seu texto não fica guardado em lugar nenhum.

O problema

Peça a um modelo de linguagem para revisar um texto e ele devolve elogio educado seguido de conselho genérico. "O argumento é sólido, considere aprofundar a metodologia." Isso não é limitação do modelo: é o que a pergunta permitiu. Pergunta vaga tem resposta vaga, e resposta vaga não dá para agir.

Pedir a uma pessoa também tem um limite, mas outro. Um revisor produz uma leitura só, e o autor não sabe se ela é a leitura do texto ou a leitura daquela pessoa.

Como usar, em três passos

  1. Escolha o tipo de texto. São 23, divididos em acadêmico, profissional e público. Artigo científico, TCC, resumo, currículo, carta de motivação, valuation, nota técnica, plano de negócios, post de LinkedIn, discurso, e por aí. O tipo importa porque troca dois dos quatro leitores.
  2. Cole o texto, ou envie o arquivo. Aceita .docx, .pdf, .txt e .md, até 15 MB, e cerca de 260 mil caracteres, que dá um texto de 20 a 25 mil palavras. Cabe um TCC inteiro.
  3. Reúna o painel. Em alguns segundos voltam as quatro reações e um veredito de uma frase, dizendo onde os quatro concordam e onde divergem.

Tem um botão de exemplo que mostra um resultado pronto, sem chamar a API, para você ver o que sai antes de gastar uma das análises do dia.

Quem são os quatro leitores

Dois são fixos em todo tipo de texto, e existem para garantir que alguém sempre vá procurar defeito:

Os dois que aparecem sempre
LeitorCritério
MarcãoCético de plantão. Implacável com afirmação sem evidência, dado sem fonte, ou conclusão que o texto não sustenta.
BebetoAdvogado do diabo. Procura furo lógico, contra-exemplo e generalização frágil. Se der para discordar, ele discorda.

Os outros dois mudam conforme o tipo de texto: quem lê um TCC não é quem lê um currículo. Todos usam nome de jogador de futebol brasileiro, o que é decoração, mas ajuda a lembrar de quem é cada crítica.

Ter quatro em vez de um é o ponto. Onde os quatro concordam, o problema é do texto. Onde discordam, existe uma escolha que o autor estava fazendo sem perceber, e que agora ele pode fazer de propósito.

A regra que faz funcionar

Cada leitor devolve quatro campos, e um deles carrega todo o valor:

O que cada leitor devolve
CampoO que é
notade 0 a 10, coerente com a reação
reacao2 a 3 frases, em primeira pessoa, na voz do leitor
oQueMePerdeu2 a 3 trechos citados entre aspas, com o motivo
sugestaouma melhoria concreta

Crítica que não aponta o trecho não serve. "Faltou fundamentação" é uma frase com que o autor concorda e não sabe o que fazer.

Com a citação obrigatória, a saída vira: "um índice de exposição ocupacional adaptado da literatura internacional": não diz de qual estudo nem como foi adaptado. Aí existe uma linha para editar.

Exigir citação literal tem um segundo efeito, e ele é a razão técnica de a regra existir: a citação é conferível. Trecho que não aparece no texto original é invenção, e invenção fica visível na hora, sem precisar acreditar em nada.

Como foi feito

Uma chamada, não quatro. As quatro reações saem de uma requisição só. Não é economia por economia: quatro chamadas independentes produziriam quatro leituras que não se conhecem, e o veredito de consenso ficaria sem base. Na chamada única o modelo escreve as quatro vendo umas às outras.

O formato da resposta é fixo. O pedido traz o esquema exato do JSON esperado. Ainda assim existe uma limpeza defensiva que remove cerca de código markdown, porque instrução de "responda apenas com JSON" é obedecida quase sempre, e quase sempre não é sempre. Quando o JSON não interpreta, o app diz isso e pede para reunir o painel de novo, em vez de exibir estrutura pela metade.

O provedor é trocável. Funciona com Gemini ou com Claude. A Gemini tem prioridade porque tem camada gratuita permanente, sem cartão, o que é o que permite o site público existir de graça. Rodando local com a sua chave não há teto; no site são 5 análises por dia por IP, controladas por um contador em Redis. Sem o Redis conectado o app funciona igual, só sem o teto.

As rotas de API recusam chamada de outro site. Uma guarda de origem impede que a chave do projeto vire API gratuita de terceiro.

Um detalhe da instrução que dá para roubar: o prompt proíbe travessão. Modelo de linguagem usa travessão o tempo todo, e é uma das marcas mais reconhecíveis de texto gerado. Proibir explicitamente é uma linha, e muda a leitura da saída inteira.

O seu texto não é guardado

O que você cola vai direto para o provedor gerar a análise e é descartado. Não há banco de dados de texto de usuário, e não há oportunidade de haver: nada é gravado no caminho.

A única exceção é a caixa de sugestões no fim da página, que grava o nome, se você preencher, e a mensagem. É sempre ação explícita, nunca automática. Ter uma exceção só, e ela depender de um clique seu, é o que torna a frase "seu texto não é armazenado" verificável em vez de promessa.

O que ele não é

Não substitui leitor de verdade. Um painel sintético não sabe o que a sua banca valoriza, não conhece a política editorial da revista, e não tem o contexto que faz um orientador dizer "isso aqui vai dar problema na defesa". Ele pega o que é visível no texto, que costuma ser bastante, e não pega o resto.

Não é medidor. A nota de 0 a 10 existe para dar peso à reação, não para ser acompanhada entre versões. Duas execuções do mesmo texto podem dar notas diferentes, e tratar isso como métrica seria inventar precisão que não existe.

Onde conferir

O código é aberto, licença MIT. Os 23 tipos, os leitores de cada um e o prompt inteiro ficam em lib/personas.js e na rota de análise, então dá para ler exatamente o que é pedido ao modelo antes de usar.

As reações são geradas por modelo de linguagem e simulam leitores fictícios. Não são avaliação profissional, parecer técnico nem revisão por pares, e a nota não deve ser usada como medida.